Empresários discutem destino do lixo eletrônico

E-lixo

Com três milhões de computadores vendidos no Brasil apenas no primeiro trimestre do ano, cresce a preocupação com a produção do chamado lixo eletrônico, o “e-lixo”. A inquietação ambiental é facilmente perceptível. Se não forem reutilizados, os computadores viram lixo tecnológico, ocupam espaço nos aterros sanitários e contaminam solos e lençóis freáticos. Buscando discutir o destino desse lixo e aproveitando a presença do presidente da Federação Nacional da Informática (Fenainfo), Maurício Mugnaini, empresários ligados ao setor da informática no RN fizeram hoje uma visita à direção do Idema – Instuto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente .

De acordo com os empresários, o lixo deve ser tratado não apenas como um problema social, mas como uma oportunidade para realizar bons negócios. Segundo Adriano Motta, diretor executivo da Attalus Tecnologia e Informação, a categoria quer buscar junto ao poder pública soluções que permitam reduzir os riscos ambientais e promover o desenvolvimento sustentável. “É preciso aperfeiçoar o ciclo de vida dos equipamentos eletrônicos, reduzir o fosso digital e gerar negócios. Atualmente, o custo-benefício para reaproveita equipamentos é muito alto. Somente de 5% a 10% dos equipamentos podem ser reutilizados. O restante fica sem destino”, afirma Adriano.

Presente também na reunião, George Bulhões, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro-RN), informou que é preciso haver sinergia entre as empresas, a academia, consumidores e poder público. “É preciso que haja uma melhoria da infra-estrutura de reciclagem para realizar a sustentabilidade dos sistemas de reciclagem do lixo eletrônico”, indica. Segundo Eduardo Coelho, presidente da IT Cursos, empresa voltada para a TI, tecnologia da informação, as empresas potiguares estão com os estoques de suas companhias lotados por artigos que se configuram como lixo eletrônico, porem, afirma que a coleta seletiva não consegue dar um destino adequado ao material descartado. “A coleta existe, mas no final do processo, o lixo não tem um acolhimento devido”, complementa.

Formalização

O setor da informática visa realizar parcerias que possam dar origem a empresas que iniciem um trabalho de reaproveitamento do material gerado no consumo da informática. O diretor técnico do Idema, Leonardo Tinoco, parabenizou a iniciativa dos empresários em buscar o órgão para discutir as questões do lixo eletrônico, porém, pediu que a categoria formalizasse um projeto. “A partir daí, teremos condições de nos articularmos com as academias e até mesmo com o Ministério da Ciência e Tecnologia. É preciso ficar bem amarrado que como seria a confecção da empresa, se seria uma espécie de cooperativa ou uma empresa de economia mista”, aponta Tinoco.

“Esse projeto deve ser baseado em operações sustentáveis. Com essa iniciativa, o Rio Grande do Norte poderá ser um estado pioneiro, sendo no futuro um padrão a ser seguido. Estamos aqui nos adiantando nas discussões para evitar potenciais problemas ambientais e de saúde que podem ser causados pelo tratamento inadequado dos resíduos tecnológicos”, relata Maurício Mugnaini, presidente da Federação Nacional da Informática (Fenainfo).

Segundo dados da Fenainfo, o e-lixo representa cerca de 5% do lixo produzido no mundo, o equivalente a 50 milhões de toneladas por ano. “Com a vida das pessoas caminhando cada vez mais para a digitalização, a tendência é que esse número cresça dentro dos próximos anos”, aponta Alexandre Carvalho, vice-presidente da Aneinfo -Associação Norte-Riograndense das Empresas de Informática do RN. Estima-se que no Brasil, sejam produzidos cerca de 2,6 kg de e-lixo por habitante.

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